Glauber Rocha, ao cunhar sua
famosa frase "o cinema é uma câmera na mão e uma idéia na cabeça", já
exaustivamente repetida, talvez estivesse também imaginando, como grande
visionário que era, as inúmeras possibilidades de uso de narrativas
audiovisuais que as novas câmeras de vídeo, bem mais amigáveis do que as de
cinema, trariam. E as câmeras chegaram, razoavelmente acessíveis.
Com uma câmera de vídeo dentro da
sala de aula ou da escola, os alunos, ao criarem seus próprios produtos audiovisuais,
tendem a repetir os modelos massificados que estão acostumados a ver
diariamente nas telas da televisão e, em menor escala, do cinema.
As escolas podem ser as oficinas
que engendram a nova cultura se professores e alunos aprenderem a superar as
intransigências e compreenderem.
Essa nova cultura telemidiática,
ou seja, essa nova forma de estar no mundo, está a desafiar professores, alunos,
sistemas de ensino. Todos podem aprender com a televisão, que, aliada a outras
técnicas, está aí exigindo uma nova postura educacional da sociedade.
Educar para a televisão envolve
ações que procuram, principalmente, formar um telespectador criterioso, que
saiba ver com clareza o que lhe é apresentado, que possa escolher com
competência o que deseja, ou não, ver.
Assim, uma educação que envolva a
mídia precisa revelar o cerne da linguagem e dos produtos dessa cultura
audiovisual, buscando aprofundar a compreensão da forma de expressão
televisiva, assim como é feito há muito nas escolas, com maior ou menor
sucesso, com a literatura, por exemplo, para além da simples recepção e
produção.
Assim, o audiovisual alcança
níveis da percepção humana que outros meios não. E, para o bem ou para o mal, podem
se constituir em fortes elementos de criação e modificação de desejos e de
conhecimentos, superando os conteúdos e os assuntos que os programas pretendem
veicular e que, nas escolas, professores e alunos desejam receber, perceber e,
a partir deles, criar os mecanismos de expansão de suas próprias idéias.
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